Apresentando o senhor ZÉGUA

Apresentando o senhor ZÉGUA

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DETETIVE ZEGUINHA - UMA GANHA, A OUTRA PERDE E MEU TIO ZÉGUA SE LASCA...

NOTÍCIAS BOAS, RUINS E PÉSSIMAS... É A VIDA, MEU FILHO.

- Zégua, quer ouvir uma notícia BOA? Este mês chegarão 50 cartões do Bolsa Família para as famílias da nossa cidade. Imagine! 50 novas famílias vão começar a receber o Bolsa Família a partir desse mês.

- E você quer ouvir uma notícia RUIM? Este mês 50 famílias tiveram o beneficio cancelado.

- Oxente! Então,...

- Com uma mão o governo dá, com a outra tira...

Uma “colégua” entra quase correndo:

- Quer ouvir uma notícia PÉSSIMA, Zégua? Tem umas 50 senhoras lá fora querendo falar urgentemente com você.

VOCÊ GOSTA DE SER ENGANADO?

10 de novembro de 2011. O tempo está nublado hoje, parece que vai chover.

A primeira visita do dia. Duas mulheres adentram a sala. Uma das mulheres é uma velha conhecida do nosso herói. A outra, que veio apenas como porta-voz da primeira, sentou-se e perguntou:

- VOCÊ GOSTA DE SER ENGANADO?

Nosso herói gelou, ao ouvir essa pergunta. Era fácil prever a tempestade que estava chegando. Estava mais do que claro que a individua estava ali no ponto de briga.

- VOCÊ GOSTA DE SER ENGANADO?

O tom da pergunta era sombrio, acusador, satânico.

- Não – respondeu Zégua – ninguém gosta de ser enganado.

Pronto! Aí a mulher ficou possessa. Disparou uma série de acusações, insinuações, etc., as mesmas acusações que nosso herói está cansado de ouvir quase todos os dias. E, se ela estava endemoninhada, sabe quem é o diabo da história?

Exatamente. Nosso velho amigo “0800 Bolsa Família”. Observem um trecho da conversa:

- Eu liguei para Brasília e me disseram que vocês nunca mandaram o cadastro dessa pobre pra lá.

Sempre que Zégua escuta uma asneira dessa ainda nutre um pingo de esperança de que a pessoa está mentindo, que nunca ligou para o 0800 e que o pessoal lá nunca disse a besteira narrada acima.

Mas, infelizmente, outros colegas de Zégua, espalhado por esse Brasil, são testemunhas das mesmas acusações.

- LIGUEI PARA O 0800 E ME DISSERAM QUE VOCÊS NUNCA MANDARAM O MEU CADASTRO PRA LÁ.

Até quando escutaremos essas asneiras?
Nosso herói cada vez mais chateado diante das pesadas acusações, e a mulher disparando loucamente:

- Essa pobre está com três anos sofrendo, tentando descancelar seu cartão, mas vocês ficam enganando, enganando, enganando...

Pense como é emocionante quando seu café da manhã é recheado com essa descarga psicológica negativa.

O engraçado de tudo é que a mulher estava acusando o nosso herói de NUNCA ter enviado o cadastro da mulher para Brasília e a mulher o tempo todo com o cartão na mão.

Quando Zégua apontou a contradição, ela mudou a conversa e disse que a mulher foi cadastrada, mas depois seu cadastro foi cancelado. E continuou com as acusações.

Esta semana o Cão tirou para infernizar nosso amigo Zégua, pois ontem (09 de novembro), uma outra mulher, possessa, disparou acusações parecidas e outras mais contra o nosso herói.

Até quando?

Mas, segundo uns boatos estranhos, que se escutam aqui e ali, soprando entre as montanhas e vales, nosso herói está com os dias contados.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NOVA VERSÃO DO CAD-ÚNICO - VADRE RETRO, TE ESCONJURO, CREDO CRUZ!...

NOVA VERSÃO DO CAD-ÚNICO - COISA PRA ILUSIONISTA PROFISSIONAL

0800 BOLSA FAMÍLIA – DESPERTANDO O “INCRÍVEL HULK” QUE HÁ DENTRO DE NÓS

Você acordou bem cedo.
O gás acabou.
O filho mais novo tá doente.
O filho mais velho precisa de um caderno novo.
A mulher pede dinheiro pra comprar arroz e feijão.
O cara da loja “Laskando os outros” tá batendo na sua porta.
São três prestações atrasadas.
Você vai ter que devolver sua televisão de 14 polegadas.
Não tem água gelada em casa, porque faz uma semana que cortaram a sua energia elétrica.
Faz um mês que não arranja serviço.
Mas hoje é o dia.
Hoje é o dia abençoado, o dia em que você retira seu dinheirinho do Bolsa Família.
Sabe que não vai dar pra pagar todas as contas.
Mas vai dar pra “maneirar” um pouco.
Pega o cartãozinho e corre pra Casa Lotérica.
A fila tá grande.
O sol tá brabo hoje.
Você passa meia hora, em pé, sem ter onde se encostar, o suor manchando sua roupa.
Tá com fome. Não tomou café hoje. A coisa tá feia.
Finalmente, aproxima-se sua vez.
Sorri para o caixa. Passa o cartãozinho.
O caixa faz cara feia e informa que seu cartão tá bloqueado.
Diz pra você ligar para um “numerozinho” que tem atrás do cartão.
Você corre para o orelhão.
Tenta cinco vezes.
Ocupado. Ocupado. Ocupado.
Mas você não pode desistir. Precisa desse dinheiro.
Tenta mais cinco vezes.
Ufa! Depois de dez vezes deu certo.
A voz do outro lado é simpática.
Quando você informa o problema, a voz meiga e gentil manda você procurar o Departamento do Bolsa Família.
Tem que procurar um tal de Zégua.
A voz meiga e gentil diz ainda que quem bloqueou seu cartão foi esse infeliz chamado Zégua.
Você sai muito zangado.
Não é possível! Tanto sofrimento devido a ação de um único “cabra da peste”.
Isso não pode ficar assim.
Você entra de “supetão”, soltando fogo pelas “ventas”.
Encara o inimigo.
Pergunta pra ele, na cara, porque o moleque bloqueou seu cartão.
E o “disgramado” ainda é “saliente”.
Quer botar a culpa nos outros.
Diz com a cara mais limpa do mundo que ele não bloqueou o seu cartão, que ele jamais iria fazer uma coisa dessa com um homem como o senhor.
Mas que sacana! Diz que um tal de sistema é que bloqueou seu cartão.
Você o ameaça dizendo que, ou ele libera logo o dinheiro ou você vai na justiça.
Ele tenta enrolar você.
Diz que tudo que pode fazer é uma tal de ATUALIZAÇÃO.
E diz ainda – que atrevido! – que o cartão foi bloqueado porque você não está mandando os filhos pra escola.
O que é que ele quer com sua vida? Os filhos são seus e quem manda neles é você. Se você não quiser que eles vão pra escola, eles não vão. Ora essa! Quem manda na sua família é você.
Você sai, zangado, prometendo tomar providências.
Sorte do Zégua que você esqueceu a “peixeira” em casa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Antigamente e Atualmente - Você pode não QUERER acreditar...Mas é impossível negar a realidade!

Professor Zeguinha... Verdades que ninguém pode contestar

FRASE DO DIA... ESPERO QUE ESSE DIA NÃO SE REPITA

28 de setembro de 2011, 9 horas e 25 minutos.

Todo mundo no Departamento do Bolsa Família tentando atualizar os cadastros na Nova Versão (quem já a viu sente saudades da versão antiga). Toda concentração é pouca.

Então, uma senhora entra na sala, pedindo informações, querendo saber se o seu cartão já veio. Ao receber uma resposta negativa, perde o controle e começa gritar, fazendo ameaças. De todas as asneiras que ela disse, a frase que acabou com o nosso dia foi:

- VOU DAR O PRAZO DE UM MÊS! SE MEU CARTÃO NÃO VIER DENTRO DE UM MÊS, EU VOU NA JUSTIÇA!!!

- VÁ AGORA MESMO E ME LEVE COMO TESTEMUNHA! - Disse Zégua, indignado com a pressão psicológica.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

TEMPO ESGOTADO... VAI SOBRAR PRA QUEM?

E A REPUTAÇÃO DO ZÉGUA FOI PARA O LIXO...

O grande paradoxo no Departamento do Bolsa Família é:

- As pessoas, na maioria dos casos, MENTEM, ao informarem seus dados (especialmente no que se refere a renda) e QUEREM que nós acreditemos nelas.

- Por outro lado, os pobres Zéguas falam a VERDADE (ao informarem os problemas no sistema), e as pessoas NÃO QUEREM acreditar.

A mentira já faz parte da nossa cultura, e não está restrita a um grupo específico (tipo político). Se a mentira possui alguma virtude, é a seguinte: Ela NÃO É PRECONCEITUOSA. Entra no coração de qualquer tipo de gente, cabendo a pessoa aceitar ou não.

E, para levar algum tipo de vantagem, popularmente conhecida como “jeitinho brasileiro”, as pessoas mentem descaradamente, sem se importar com as conseqüências.

Nesse jogo de verdades e mentiras, a bola sempre acerta na cabeça do nosso herói.

São tantas coisas, tantas explicações que somos obrigados a dar às pessoas que, sinceramente, eu no lugar delas, também não acreditaria em nosso amigo Zégua. Vejamos um exemplo, inspirados em fatos recentes.

- Bom dia, dá pra resolver o meu problema hoje? – O tom de voz da mulher já veio ameaçador.

- Bem, senhora, é que... – Zégua fala, meio sem graça, constrangido, olhando de um lado para o outro, como se procurasse as palavras certas, sabendo que, ele no lugar dela, também não acreditaria nele.

- Olha, senhora, é que...

- Qual é a desculpa dessa vez?!!! – A senhora explode – Um mês atrás você disse que a internet estava fora do ar. Uma semana depois me disse que o sistema estava fora do ar. Três semanas atrás disse que tinham cortado a energia de vocês. Agora que a energia voltou, qual sua desculpa?

- A senhora pode até não acreditar... aliás, se fosse eu no lugar da senhora, também não acreditaria, mas... o fato é que... é que, nesta semana, houve uma mudança em nosso sistema. A Caixa mudou o sistema, agora temos uma nova versão do programa, e só estamos aguardando a Caixa liberar o nosso acesso a...

- TODO DIA VOCÊS TÊM UMA DESCULPA DIFERENTE! NÃO AGUENTO MAIS! NÃO QUERO MAIS SABER! BANDO DE MENTIROSOS!!!

(Se houvesse uma porta na sala do nosso herói ela tinha chutado com força, e se tivesse armada... não quero nem pensar).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ZÉGUA E A NOVA VERSÃO DO CAD-ÚNICO OU: DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM


Nas três semanas em que o Departamento do nosso herói ficou sem energia, aconteceu o que já esperávamos a muito tempo... com a mesma expectativa com que os californianos aguardam o “BIG ONE”, ou seja, o lendário terremoto que poderá acabar com tudo.

- Bom dia, gostaria de atualizar meu cadastro.
- Bem... a senhora está vendo tudo escuro aqui?
- Tô.
- Tá vendo a gente sentado batendo papo em pleno horário de trabalho?
- Tô.
- Tá vendo os computadores desligados?
- Tô.
- Pois é. Isto significa que...
- Vocês estão sem energia.
- Muito bem. A senhora acabou de ganhar nota 10.

Ela sorriu, incrédula. “matutou” um pouquinho e perguntou:

- E ... será que a energia volta logo?
- Logo como? Hoje?
- Sim.
- É possível, já que está com quase três semanas que foi embora.
- Vixe Maria!

Três semanas depois. Parte da energia está de volta. Por que parte? Bem, isso é outra história (que não irei contar aqui – pelo menos por enquanto).

Com muita coisa pra fazer, cadastro pra atualizar, problemas pra resolver, nosso herói e sua equipe ligam os computadores, ansiosos e preocupados.

Antes da “grande escuridão cair sobre a terra”, nosso herói tinha enviado 72 cadastros para serem processados, usando ainda o antigo sistema CONECTIVIDADE.

Ao acessar o Conectividade, para saber se os cadastros enviados já estavam processados, eis a desgraçada surpresa: TODOS OS 72 CADASTROS REJEITADOS.

Longe de imaginar o que teria acontecido, nosso herói entrou em contado com os “homens lá de cima”, e eles imediatamente responderam que...

DESDE O DIA 20 DE AGOSTO DE 2011, a nova versão (a tão falada versão ON-LINE) foi disponibilizada. Isto significava duas coisas trágicas:

1 – A versão antiga não prestava mais pra nada;

2 – Todos os cadastros atualizados ou criados depois do dia 20 de agosto foi perda de tempo.

E agora?

- Bom dia, agora que a energia voltou, vocês podem atualizar meu cadastro.

“Ai! Ai! Ai! Qualquer coisa que eu diga ela não irá acreditar... nem eu mesmo acreditaria se estivesse no lugar dela”, refletiu o nosso herói.

- Senhora, é que... é que agora temos um novo problema. Pode não acreditar, mas houve uma mudança no sistema, enquanto estávamos sem energia, e agora precisamos ajeitar algumas coisas antes de começar a tentar resolver os casos de vocês.

Diante dessa resposta, passamos a enfrentar, diariamente, dois tipos de pessoas:

Tipo 1 – O Cabeça fria

- Ah, então que dia eu passo aqui de novo?

Tipo 2 – O “fogo com dinamite”

- O quê?!!!! Todo dia é uma desculpa diferente! Vocês deviam ter vergonha! Vou denunciar vocês! Isso já virou molecagem!

E, enquanto nosso herói e sua equipe tentam se adaptar à nova versão, a pressão continua aumentando, de todos os lados.

E, nessa altura do campeonato, a reputação do nosso herói foi pro lixo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

FÁBRICA DE INIMIGOS

ZÉGUA, NO OLHO DO FURACÃO

Antes da crise energética contada anteriormente...

Imagine só! Quase 100 novos benefícios foram liberados recentemente na cidade de nosso herói. Foi um grande frenesi. Gente correndo de um lado para o outro, querendo ver a tal lista com os nomes.

E o nosso herói viu-se novamente no olho do furacão.

- Ouvi dizer que chegaram os cartões de quem não tem.

- Cadê os cartões que tão dizendo que chegaram?

- Ei, será que o meu nome veio?

- O senhor pode olhar se o nome da minha filha veio?

- Dá pra olhar se o nome da minha cunhada veio?

- Por favor, olha aí se esses nomes “veio” (e joga um bocado de documentos sobre a mesa).

Nosso herói e sua equipe tinham a resposta na ponta da língua.

- Calma, gente. Só temos a lista de quem vai receber agora. Os cartões virão pelos Correios.

Bom, apesar de não dizermos quando os cartões chegarão (até porque não sabemos, é claro!), o pessoal começou a correr para a agência dos Correios, estressando os funcionários de lá.

- Ei, cadê os cartões do Bolsa Família?

- Ei, olha se meu nome tá aí.

- Por que é que não entregaram meu cartão ainda?
Coitado dos funcionários.

- Calma, gente. Aqui não tem cartão nenhum.

- Mas o rapaz do Bolsa Família disse que já chegaram!
Ai! Ai! Ai! Como é fácil criar uma tragédia ou provocar uma guerra. Ninguém no departamento do nosso herói disse qualquer coisa no sentido de que os CARTÕES JÁ TIVESSEM CHEGADO, mas...

- Senhora, não tem cartão nenhum aqui – explica o funcionário dos Correios.

- Mas lá no Bolsa Família disseram que os cartões já vieram e vocês é quem vão entregar.

Outros indivíduos chegam no departamento do nosso herói, já vindo da agência dos Correios.

- Lá no Correio não tem cartão nenhum.

- Mas eu disse pra senhora que não sabemos quando os cartões irão chegar.

- E quando vão chegar?

“Jesus! Paciência!”

Bem, depois de uma semana tentando controlar a violenta tempestade, o vento agora é outro.

- Fui na Caixa receber meu dinheiro e só saiu isso. Minha “cumadi” tem o mesmo “tanto” de filhos que eu e recebeu o dobro do dinheiro. Por que? E eu já liguei para o 0800 e eles disseram que o problema é aqui.

- Bom dia, eu queria saber porque o cartão da minha vizinha já veio e o meu não, já que nós “fizemo” no mesmo dia.

- Você é o rapaz que mexe com cartão? Na minha rua veio de todo mundo, menos o meu. Será que vocês mandaram mesmo meu cadastro pra Brasília?

- Bom dia, eu quero ver aí no computador de vocês se meu nome tá aí mesmo. Acho que vocês não mandaram meu cadastro pra Brasília.

- Eu tenho quatro filhos. Só veio o dinheiro de dois. Por quê?

Bem, agora, acreditem ou não, enquanto nosso herói tentava sobreviver no meio dessa tempestade de reclamações, um sujeitinho entrou na sala e disse:

- BOM DIA. VIEMOS CORTAR A ENERGIA DE VOCÊS.

Bem, essa história eu já contei anteriormente. Quem não leu, procure ler o texto: “O DIA EM QUE NOSSA ENERGIA ELÉTRICA SAIU DE FÉRIAS”.

Acha que isso é ficção? Venha aqui passar um dia com a gente. Mas não nos responsabilizamos pelo estresse que irá acometer você.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

QUE CALORZINHO BRABO, MINHA GENTE!


E AS TREVAS COBRIRAM A TERRA...


O DIA EM QUE A NOSSA ENERGIA ELÉTRICA SAIU DE FÉRIAS

Numa linda manhã de maio de 2011...

Nosso herói Zégua estava diante do computador, trabalhando tranqüilamente. Os problemas de sempre, benefícios bloqueados, cancelados, valores que diminuíram, gente querendo saber quando vão chegar os outros benefícios, etc.

De repente...

- Zégua! Desliga tudo depressa!

Nosso herói olhou para sua colega que havia adentrado a sala como alguém que fugia de um cachorro doido.

- O que aconteceu?

- Os homens da CEMAR estão ali e vão cortar nossa energia.
(CEMAR – Companhia Energética do Maranhão, a empresa responsável pelo fornecimento de energia em nosso estado).

Zégua sorriu, incrédulo, e começou a falar:

- Deixa de brincadeira. Imagina se uma coisa dessa...

SUBITAMENTE, AS LUZES SE APAGARAM E OS COMPUTADORES PARARAM DE FUNCIONAR, INTERROMPENDO A FALA DO NOSSO HERÓI.

- Não acredito! – Ele levantou-se e correu até lá fora, querendo confirmar a história.

Era mesmo verdade. Os caras ainda estavam pendurados no poste, terminando o serviço.
A partir desse momento, várias cenas se repetiram durante uns dois dias.

- Bom dia, eu queria saber por que meu cartão... oxente! Por que tá tudo escuro aqui?

- Nada de mais, minha senhora. Só cortaram nossa energia.

- Diacho! E por que fizeram isso?

- Nada de mais. Só conta atrasada mesmo.

Na semana seguinte, as coisas voltaram ao normal, e pouco a pouco o constrangimento foi esquecido.

Cerca de um mês depois...

- Desliga tudo, rápido! Os homens da CEMAR estão aí de novo!

Nosso herói olhou para sua colega que havia novamente adentrado a sala como um furacão, como se estivesse com um certo problema na barriga e precisasse urgentemente de um banheiro.

- Tá falando sério? – Ele levantou-se e correu para fora.

- Como é, já desligaram tudo? – Perguntou o cara da “tesoura”.

Nosso herói correu para sua sala e desligou todas as máquinas, ao mesmo tempo em que se perguntava o porque de tudo aquilo.

“Se eu contar para algum dos meus amigos, duvido que alguém acredite” – pensava ele.
E agora?

Dois dias depois e tudo continuava na mesma. Corria o boato de que havia uma conta antiga, da administração anterior e que a Prefeitura hesitava em pagar. Outros diziam que a conta era recente. O fato é que, mais uma vez, em menos de dois meses, a “casa” do nosso herói estava sem energia elétrica.

No terceiro dia, a energia voltou, mas...

Pois é, tem um “mas” na história. É inacreditável, mas...

A Prefeitura autorizou alguém “entendido” na arte dos “gatos”, e esse “Macgyver” subiu no poste e religou a energia.

Um dia depois, tudo corria às mil maravilhas...

Então...

- Desliga tudo! Rápido! Os homens tão aí de novo.

- Ah, isso já virou molecagem.

Nosso herói, irritado e atônito, desligou tudo e foi “assistir” ao “espetáculo” lá fora. Os homens estavam furiosos. Desta vez não somente desligaram, mas levaram até os fios, como se dissessem:

- QUERO VER ESSES MALANDROS LIGAREM DE NOVO.

Bom, sem entrar em detalhes (há material para um livro), os dias seguintes foram de estresse, incredulidade e ansiedade.

- Ei, a energia de você já voltou?
Zégua levou a senhora até um certo lugar e apontou para cima.

- A senhora está vendo algum fio aqui?

- Nossa Senhora! Levaram até os fios?

- Ei, já ligaram a energia de vocês?

- Só se colocaram os fios por baixo do chão, como na cidade grande.

- Ei, vocês já tem energia?

- Sempre tivemos, mas os computadores só funcionam com energia elétrica.

- Ei, quando é que a energia volta?

- Quando terminar as férias dela.

Bem, desta vez, as “férias” de nossa energia elétrica duraram três semanas. Imagine isso! TRÊS SEMANAS SEM ENERGIA ELÉTRICA. Três semanas de pressão, três semanas de “toc, toc, toc” na residência do nosso herói.

TOC! TOC! TOC!

- Ei, o rapaz que conserta cartão, mora aqui?

- Ei, quando é que chega a energia?

- Ei, meu cartão bloqueou de novo.

- Bom dia, queria saber por que meu cartão... Blá! Blá! Blá!

Bem, três semanas depois as coisas voltaram ao normal. É uma história tão absurda e constrangedora que relutei bastante em publicar aqui. Na verdade, eu tinha decidido não contar nada disso aqui no blog. Até porque é muito constrangedora e só serviria para colocar nosso Município numa situação vexatória. Isso tinha que acontecer logo no departamento do nosso herói. Inacreditável!

Contudo estou contando a história hoje. O que me fez mudar de idéia? Como disse acima, eu não queria publicar isso, mesmo sabendo que é uma história hilária. Mesmo sabendo que nossos leitores mereciam saber disso. Mas querem saber o que me fez mudar de idéia?

Na segunda semana de agosto de 2011...

Uma grande agitação no departamento do nosso herói.

Recentemente, na folha de pagamento de agosto, apareceram quase 100 beneficiários novos, ou seja, pessoas cadastradas que ainda não possuíam o beneficio. Era uma verdadeira bomba. Imagine! Quase 100 cartões novos chegando ao Município.
E o departamento foi invadido por dezenas de pessoas querendo saber se seus nomes estavam na lista. Apesar de não vir os nomes de todo mundo (isso não é possível, claro!), os quase 100 que vieram foi motivo de satisfação para nosso herói e sua equipe, pois uns 95% eram de pessoas que realmente mereciam o beneficio. Claro que, de vez em quando, algum tubarão passa na rede (por ter sonegado informação ou trapaceado), mas logo logo vai ver o que é bom pra tosse.

Bem, mas o que a chegada desses quase 100 benefícios tem a ver com minha decisão em publicar a história da energia elétrica de férias? Ao ler os parágrafos seguintes, muitos de vocês vão pensar que minha imaginação é muito fértil e que exagerei a história a fim de publicá-la aqui. Meus amigos, quando digo que as coisas em torno do nosso herói Zégua são inacreditáveis, é porque são mesmo.

Quinta feira, 18 de agosto de 2011...

O departamento do nosso herói estava muito agitado, em decorrência dos fatos narrados nos parágrafos anteriores. Enquanto nosso herói atendia as pessoas, informando sobre a chegada dos novos benefícios...

- Ei, tem um homem da CEMAR querendo falar com você – informou uma das pessoas que nosso herói estava atendendo.

- Da CEMAR? Bem, diga pra ele entrar.

- Bom dia, vim pedir para vocês desligarem tudo, que vamos cortar a energia.

CHOQUE! ESTUPOR! SURPRESA! O INESPERADO! O IMPREVISTO!

- É mesmo? – Após os primeiros segundos de surpresa, nosso herói, resignado e sangue frio, conversou com o “homem da tesoura”.

E o cara, todo educado, explicou que, na verdade, não era exatamente a conta da energia do departamento do nosso herói que estava com problemas, mas um débito especial da Prefeitura.

- E o que nós temos a ver?

- É que resolvemos cortar a energia de um órgão ligado à Prefeitura para pressioná-la, para que se apresse em resolver as pendências atrasadas.

- E por que os senhores não cortam a energia do prédio da Prefeitura?

- É porque lá também funciona o setor da Saúde e este não pode ser prejudicado.

- Muito engraçado isso. Então, por que vocês não cortam a energia do prédio da Secretaria de Assistência Social?

- É que o departamento de vocês é mais importante. Se cortarmos a energia do outro, a Prefeitura nem liga.

- Quer dizer que agora, qualquer probleminha de conta da Prefeitura, vocês vão descontar na gente?

- Não tem outro jeito. Fazer o quê?

Pois é, meus amigos. A ironia desta vez é que, quem deu o sinal para a que energia voltasse a ser cortada foi o nosso herói. Como assim?

O cara disse que ia esperar que nosso herói desligasse todos os computadores. Depois que Zégua fez isso, chamou a atenção do sujeito, acenou para ele e disse (com um certo misto de raiva, ironia e uma misteriosa satisfação):

- PODE CORTAR!

E cá estamos novamente às escuras. Hoje, começou a segunda semana. É claro que estou escrevendo isto num lugar que tem energia, seu malicioso!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

OPERAÇÃO: TOQUE O BESTA PRA FRENTE

ZÉGUA E O 0800... TOQUE O BESTA PRA FRENTE!

Causa admiração a criatividade do Sistema do Bolsa Família para criar problemas novos.
Recentemente (julho de 2011), vários casos dignos de um romance policial perturbaram nosso herói.

- Bom dia, não consegui tirar meu dinheiro hoje.

“Eita! Parece que este é mais um dia daqueles” pensou nosso herói.

- Deixe-me ver qual o problema da senhora – ele pega o terrível retangulozinho amarelo, olha o número e acessa o famoso e estressante SIBEC.

Lá a mensagem está bem clara:

LIBERADO, EM PAGAMENTO.

- Senhora, aqui no sistema tá tudo normal. O beneficio da senhora está liberado.

- E como é que aquele desgraçado da Casa Lotérica disse que está bloqueado?

- Mas aqui tá liberado. Neste caso, a senhora precisa ir até a Caixa. Se o problema for no cartão, a senhora tira diretamente na folha.

Zégua só encaminha as pessoas à Caixa quando a situação é grave, pois passar umas horinhas naquele ambiente, ninguém merece.
Alguém poderia até questionar agora: E POR QUE VOCÊ NÃO LIGA PARA O 0800 OU PEDE PARA O USUÁRIO LIGAR?
Certamente quem faz tal tipo de pergunta também acredita em papai Noel, e ainda acha que nasceu quando a cegonha voou até o telhado da casa dos seus pais.

A senhora foi até a Caixa, levou um oficio, bonitinho, com o timbre da Prefeitura, etc., etc.

No outro dia, lá vem ela, com a cara triste. Nem é preciso ser Sherlock Holmes para deduzir o que aconteceu.

Ela traz o oficio de volta (todo amassadinho, coitado), acompanhado de um papel, um extrato da conta dela, com a mensagem: BLOQUEADO.

- O rapaz disse que o problema é aqui mesmo.

Zégua olha para um lado da parede, olha para o teto, olha para o chão e pensa:

“AGORA A PORCA VAI TORCER O RABO”.

Rapidamente olha no (aaaaaarghh!!!) SIBEC, e a mensagem está lá, bem clara:
LIBERADO, EM PAGAMENTO.

Olha para o papel enviado pela Caixa, olha para o SIBEC. Um diz BLOQUEADO. O outro afirma: LIBERADO.

BLOQUEADO OU LIBERADO? EIS A QUESTÃO!

A única saída foi nosso herói pedir para a senhora retornar outro dia, enquanto que ele iria enviar uma mensagem pedindo socorro para os homens “lá de cima”, os caras que, certamente devem saber tudo relacionado ao programa.

Na tarde do mesmo dia, nosso herói recebeu a resposta do seu e-mail. Em resumo, a mensagem dizia simplesmente para que ele ligasse para o seguinte telefone:

0800.726.01.04. Após o número do telefone, o texto afirmava que “Neste novo processo a gestão de atendimento será melhor qualificada e gerida uma vez que as Prefeituras terão clareza do canal de atendimento...”.

Bem, na manhã do dia 02 de agosto de 2011, nosso herói resolveu testar sua paciência mais uma vez e ligou para o tal 08007260104. O que se segue é a transcrição dos fatos tal como ocorreram:

8:51 horas – Zégua escuta a seguinte mensagem: “NOSSOS ATENDENTES CONTINUAM OCUPADOS. POR FAVOR, AGUARDE QUE LOGO IREMOS ATENDÊ-LO.”

Então, a mensagezinha repete-se, num intervalo de 23 segundos, 20 vezes! Ou seja, nosso herói ouviu 20 vezes ““NOSSOS ATENDENTES CONTINUAM OCUPADOS. POR FAVOR, AGUARDE QUE LOGO IREMOS ATENDÊ-LO.”

9:01 horas – Finalmente, nosso herói é atendido. A voz do outro lado pergunta qual o problema, qual o CNPJ da Prefeitura, qual o NIS com problema e pede para aguardar um minuto. Só esqueceu de informar quem homenagearíamos com o tal minuto de silêncio.
E foram vários minutos de silêncio.

9:08 horas – A voz do outro lado volta a dar sinais de vida.

- Senhor, o beneficio dela está bloqueado por descumprimento de condicionalidade.

- Mas no SIBEC diz que está liberado, e além disso, já atualizamos o cadastro dela há três meses.

- O senhor deve entrar em contato com o MDS...

“Ai! Ai! Ai! Era só o que faltava”.

- MDS? Qual número devo usar?

- Ligue para 0800.707.203.

- Ok.

- Mais alguma coisa, senhor? Anote o número do protocolo.

9 horas, 11 minutos e 30 segundos – Fim da conversa.

Zégua respira fundo e resolve ligar para o outro 0800.

9 horas e 12 minutos – Ligando para o 0800.707.203... OCUPADO!
9:13 horas – OCUPADO!
9:14 horas – OCUPADO!
9:15 horas – OCUPADO!
9:16 horas – OCUPADO!
9:17 horas – OCUPADO!
9:18 horas – OCUPADO!
9:19 horas – OCUPADO!
9:20 horas – OCUPADO!
9:21 horas – OCUPADO! OCUPADO!
9:22 horas – OCUPADO! OCUPADO!
9:23 horas – OCUPADO!

Às 9 horas e 23 minutos, cansado de esperar, Zégua desligou o telefone.
Cerca de dez minutos depois, três senhoras aparecem ao mesmo tempo. Adivinhem o problema delas?

OLHANDO DE FORA, TÁ TUDO LINDO QUE É UMA BELEZA...

TEM GESTOR QUE PENSA QUE O BOLSA FAMÍLIA É UM BORDEL...

1.º SEMESTRE...

- Oi, queria falar com a Dasdores...
- Ela não trabalha mais aqui. Meu nome é Geriba. Em que posso ajudá-la?

2.º SEMESTRE...

- Oi, queria falar com a Geriba...
- Sinto muito, meu bem. Ela não trabalha mais aqui. Mas eu posso resolver seu problema. Meu nome é Zerilha.

ANO SEGUINTE...

- Oi, queria falar com a Zerilha.
- Amorzinho, ela foi transferida para outro setor. Meu nome é Zumbica. Em que posso ajudá-la?

DOIS MESES DEPOIS...

- Oi, a Zumbica está?
- Benzinho, ela foi demitida. Meu nome é Tarilda...